Este é o texto que eu nunca te pensei escrever passado tanto tempo.
Contigo. Contigo é que aprendi a sorrir sinceramente, a gritar, a me chatear pela mínima coisa, a chorar por merdinhas, a desabafar, a ajudar os outros, aprendi a ser querida e fofa, a demonstrar o que realmente sinto, a gozar na brincadeira, a brincar, a cantar ouvindo-te a ti, a comer, a andar e passear, aprendi a andar por todo o lado e sem ti nada disto fazia sentido. Sem ti desaparecia, pensei muitas vezes, e tudo me era indiferente se estivesses comigo e sem ti não havia " eu ". Por ti saia á rua, por ti sorria, por ti ainda cá estava bem de pé, por ti levantava-me todos os dias de manhã e deitava-me á noite. Por aqui andares e por estares na minha vida é que eu era pequenina. Mas tive de crescer e fazer a minha própria pessoa, sem depender de ninguém, muito menos de ti. Quando me deixavas sozinha e não me ligavas nenhuma, eu começava a sentir vontade de chorar. Quando estava sozinha no quarto, bem solitária, e o teu cheiro me vinha ao nariz, eu sentia vontade de chorar. Quando nunca andava sem ti e um dia tive de andar, eu senti vontade de chorar. Quando estava á espera que tu me pegasses na mão e depois quem pegava não era quem esperava, eu sentia vontade de chorar. Quando queria que viesse algo dito pela tua voz e não vinha, eu sentia vontade de chorar. Quando pensava que ainda havia um presente e afinal de contas era tudo passado, eu não só senti vontade de chorar como chorei mesmo. ''Porque?'' Perguntas bem. Eu queria tudo o que não podia ter e aprendi a viver de outra maneira, à tua maneira. Neste momento só te sei dizer que te vais embora da minha vida, de alguma maneira, mas vais. ''E agora? Eu? Tu? Nós?'' São meras duvidas do passado que já não volta. Nunca pensaste nisto tudo, pois não? Antes de tudo, não pensas-te sequer que podias ter cometido um erro e que afinal tu também não eras perfeito e que tu também podias magoar os outros, pois não? Podia-te ter pedido para ficares mais um bocado mas não pedi. Podia ter dito o quanto ainda penso em ti (em nós), mas não disse. Ficou muito por dizer e muito por fazer, acredito que sim. Deveria considerar-te um capítulo encerrado, mas não consigo, nem o vou fazer. Disse-te que me ia embora da tua vida mas não te disse que me poderia arrepender disso. Já não iria voltar atrás se tu concordasses em colaborar comigo mas ambos sabemos que não é assim tão fácil como parece. E tu sabes perfeitamente que sempre estive lá, como sempre de ti não se pode dizer o mesmo. Nem tudo na vida são sonhos, mas eu passei a minha a sonhar que tudo era real quando na verdade foi uma ilusão óptica. Mas o que me custa mais nem é tudo ter acabado, o que me custa mais é ver que me posso arrepender do que estou a fazer e se calhar quem se quer magoar sou eu a mim própria, mas aqui não á quases nem metades, ou é tudo ou é nada. Olhar para trás e ver o que houve; olha para os lados e ver que não estas; olhar para a frente e ver que afinal eras uma ilusão, isso sim será o que me custa mais no meio disto tudo. Na vida temos de fazer muitas escolhas ás quais não podemos fugir, escolhas essas que nem sempre são as que queremos e como queremos. Tu fizeste a tua lembraste? Eu não queria fazer a minha porque quem sairia sempre magoada seria eu, pelo facto de que tu tens a mania que és forte e que nada te afecta. ''Prefiro magoar alguém, do que deixar que me magoem'', se bem te lembras estas palavras saíram da tua boca e mesmo não fazendo grande sentido, compreendo por certa parte que usando uma capa torna tudo mais fácil. Eu também fiz a minha escolha e acredito que não seja a melhor, mas foi o caminho que escolhi fazer, quem sabe se um dia não voltamos ao cruzamento os dois. Pode ser um erro o que estou a fazer, mas deixa-me abrir os olhos e chegar a essa conclusão sozinha.
